Quem é Boris Johnson, o polêmico novo premiê britânico que conduzirá Brexit

0
64

Boris Johnson, ex-ministro das Relações Exteriores e ex-prefeito de Londres, assumiu o posto de premiê deixado vago por Theresa May, que anunciou sua renúncia, no dia 24 de maio, em meio a impasses nas discussões dos termos de saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit).


Na terça-feira, 23 de julho, o Partido Conservador anunciou que Boris Johnson, de 55 anos, foi o vencedor da votação realizada entre membros do Partido Conservador, que governa o país, com 92.153 votos, contra 46.656 obtidos pelo atual chanceler Jeremy Hunt, o único político que restou na briga pelo posto de premiê, após rodadas anteriores de votações entre parlamentares do partido.

Entenda a polêmica sobre o Brexit em 11 perguntas
Em discurso emocionado, Theresa May admite fracasso com Brexit e anuncia renúncia
Johnson é defensor do Brexit e prometeu, durante a campanha, implementá-lo o mais rapidamente possível – lembrando que o prazo atual, já renegociado duas vezes, para a saída britânica da União Europeia (UE) é 31 de outubro.

Receba nossas novidades

Seu cartão está quase pronto
Deixe seu e-mail para receber dicas e novidades sobre Cartões , Crédito e Financiamentos 95%

Johnson herda também a crise política que permeia o Brexit e que já derrubou dois premiês (além de May, David Cameron, que renunciou diante dos resultados pró-Brexit do plebiscito realizado em 2016).

Já na Inglaterra, Johnson estudou em Eton, centenária e prestigiosa escola privada, e depois na Universidade Oxford – percurso tradicional entre personagens da elite política britânica.


Na universidade, integrou, junto a David Cameron, o famigerado Bullingdon Club, um antigo clube exclusivo para estudantes homens – em geral, ricos -, conhecido por suas festas regadas a bebida e confusão.


Boris Johnson e o ex-premiê David Cameron (acima, em 2010) estão entre os muitos líderes políticos britânicos que estudaram em Oxford
Johnson começou sua vida profissional como jornalista do periódico The Times, de onde foi demitido após ter sido acusado de inventar uma frase de um entrevistado. Ele se tornou conhecido no meio jornalístico como correspondente em Bruxelas do jornal The Daily Telegraph.

Ele entrou definitivamente para o cenário político em 2001, quando foi eleito parlamentar. Três anos depois, foi demitido de um alto posto na hierarquia do Partido Conservador por ter supostamente mentido a respeito de um caso extraconjugal.


Mas foi reeleito para o cargo no ano seguinte e, em 2008, conquistou o posto de prefeito de Londres, que ocuparia por oito anos. A essa altura, já era nacionalmente conhecido.

Johnson voltou ao Parlamento em 2015, eleito por um subúrbio do noroeste de Londres. No plebiscito de 2016, a respeito da permanência do Reino Unido na UE, Johnson foi umas das principais figuras políticas a apoiar o voto pró-Brexit, que acabaria sendo vitorioso.


Boris Johnson ficou preso no ar durante um trajeto de tirolesa para promover a Olimpíada de Londres; na época, ele era prefeito da cidade
Com a saída do premiê David Cameron, Johnson foi um dos cotados a assumir o governo em 2016, mas acabou sendo passado para trás depois de perder o apoio de seu coordenador de campanha, Michael Gove, que questionou sua capacidade de liderança.

O posto acabou ficando com Theresa May, e Johnson se tornou secretário das Relações Exteriores.

Brexit
Boris Johnson foi uma figura de destaque na campanha a favor do Brexit durante o referendo em 2016.

Ele ficou conhecido por seus ataques à União Europeia – e muitos o acusaram de “exagerar” ou mesmo “mentir” nos seus ataques ao bloco e sua defesa dos supostos benefícios do Brexit.

O episódio mais polêmico desse período foi quando afirmou que o Reino Unido enviava 350 milhões de libras (cerca de R$ 1,6 bilhão) por semana à UE. Mas críticos apontaram na época que o número estava errado, uma vez que não levou em conta o montante que é devolvido pela UE, ou mesmo quanto desse dinheiro era gasto posteriormente no Reino Unido.

Johnson foi chanceler por dois anos e deixou o posto depois de vários desentendimentos com May por conta do Brexit.

Em junho de 2018, por exemplo, ele declarou que a então premiê precisava mostrar “mais coragem” nas negociações com a UE – e, nisso, contou com apoio explícito do presidente americano, Donald Trump, que mais tarde disse que Johnson faria um “grande trabalho como premiê” e daria um jeito no que chamou de “desastre” de May no Brexit.


Theresa May e Boris Johnson em 2017; ele foi secretário do governo dela, mas saiu fazendo duras críticas
Johnson tem dito que, se for escolhido premiê, se comprometerá com o prazo do Brexit de 31 de outubro, mesmo na ausência de um acordo com o bloco europeu – o temido cenário do “no deal Brexit”, a saída unilateral sem acordo do bloco, que traria consigo várias incertezas e colocaria em xeque a relação do Reino Unido e dos britânicos com a Europa.

“Caso contrário, enfrentaremos uma catastrófica perda de confiança na política”, declarou.

Ele também disse que se recusará a pagar a “conta” do Brexit – uma soma de 39 bilhões de libras (R$ 181 bilhões) que a UE exige como compensação – a não ser que sejam oferecidos termos de negociação mais favoráveis ao Reino Unido.

Entre as falas mais polêmicas e criticadas de sua carreira política estão a vez em que se referiu a homossexuais como “bumboys” (bum, em inglês, é usado para se referir tanto às nádegas quanto a “vagabundos”) e quando declarou que muçulmanas usando o véu que deixa só os olhos à vista se assemelhavam a “caixas de correio”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here